DA AGENDA TECNOPOLÍTICA DOS DADOS NA AMÉRICA LATINA À GERAÇÃO CIDADÃ DE DADOS NAS FAVELAS

<<< retornar ao índice do Dossiê

DA AGENDA TECNOPOLÍTICA DOS DADOS NA AMÉRICA LATINA À GERAÇÃO CIDADÃ DE DADOS NAS FAVELAS

FROM THE TECHNOPOLITICAL DATA AGENDA IN LATIN AMERICA TO CITIZEN-GENERATED DATA IN FAVELAS

Gilberto Vieira

Resumo: Este artigo explora o fenômeno emergente do ativismo de dados, aqui definido como o uso crítico e estratégico de dados para amplificar demandas sociais e influenciar políticas urbanas. Analisando a agenda política do maior evento da América Latina dedicado ao tema, identificamos presenças e ausências que revelam lacunas na governança contemporânea das cidades. Em seguida, investigamos o trabalho de uma organização social fundada por jovens no Conjunto de Favelas da Maré (Rio de Janeiro), que vê na Geração Cidadã de Dados (GCD) uma oportunidade de reposicionar seus territórios e suas reivindicações. A análise sugere que, apesar das novas configurações de colonialidade ancoradas na dataficação da vida e da morte, coletivos periféricos estão moldando um novo paradigma de ativismo urbano. A pesquisa suscita reflexões como: de que forma sujeitos geográfica e subjetivamente localizados podem reposicionar territórios marginalizados por meio de ações tecnopolíticas? Que ferramentas eles estão dispostos a inventar ou adaptar para assegurar comunidades com plenos direitos?

Abstract: This article explores the emerging phenomenon of data activism, defined here as the critical and strategic use of data to amplify social demands and influence urban policies. By analyzing the political agenda of the largest event in Latin America dedicated to this topic, we identify both presences and absences that reveal significant gaps in contemporary urban governance. We then examine the work of a social organization founded by young people in the Maré Favela Complex (Rio de Janeiro), which views Citizen-Generated Data (CGD) as an opportunity to reposition their territories and demands. The analysis suggests that, despite the new configurations of coloniality anchored in the datafication of life and death, peripheral collectives are shaping a new paradigm of urban activism. The research raises reflections such as: how can geographically and subjectively situated individuals reposition marginalized territories through technopolitical actions? What tools are they willing to invent or adapt to ensure communities with full rights?

Palavras-chave: Ativismo de Dados; Tecnopolíticas Urbanas; Colonialidade Digital; Favela; Geração Cidadã de Dados

Keywords: Data Activism; Urban Technopolitics; Digital Colonialism; Favela, Citizen-Generated Data


REFERÊNCIAS
BRUNO, Fernanda; CARDOSO, Bruno; KANASHIRO, Marta; GUILHOM, Luciana; MELGAÇO, Lucas (orgs). Tecnopolítica da vigilância: perspectivas da margem. São Paulo: Boitempo, 2018.
COULDRY, Nick; MEJIAS, Ulises Ali. The costs of connection: how data is colonizing human life and appropriating it for capitalism. Stanford, [California]: Stanford University Press, 2019. (Culture and economic life).
Data_labe. Dados sobre quem importa. YouTube. 2022.
ESCOBAR, Arturo. Designs for the pluriverse: radical interdependence, autonomy, and the making of worlds. Durham: Duke University Press. 2018.
FIRMINO, Rodrigo. PIO, Debora; VIEIRA, Gilberto. Revolução periférica dos dados em tempos de pandemia global. Revista de Morfologia Urbana, v. 8, n. 1, 30 jun. 2020.
FIRMINO, Rodrigo; CARDOSO, Bruno; EVANGELISTA, Rafael. Hyperconnectivity and (Im)Mobility: Uber and Surveillance Capitalism by the Global South. Surveillance & Society 17(1/2): 205-212. 2019.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: história da violência nas prisões. Petrópolis: Vozes , 1983.
HARAWAY, Donna. Ficar com o problema: fazer parentes no Chthuluceno. São Paulo: n-1 edições, 2023.
KWET, Michael. A ameaça nada sutil do Colonialismo Digital. In: OUTRAS PALAVRAS. 5 mar. 2021.
LEFEBVRE, Henri. A revolução urbana. Tradução de Sérgio Martins e Revisão Técnica de Margarida Maria de Andrade. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2008.F
LUQUE-AYALA, Andrés et al. Plataforma urbanas: Hackers cívicos e ativismo digital nas cidades brasileiras. In: KRAUS, Lalita (org.). Cidades inteligentes e contradições urbanas: reflexões para a garantia do direito à cidade. Rio de Janeiro, RJ: Editora Garamond Ltda., 2024.
MAY, T. Pesquisa social. Questões, métodos e processos. Artemed. Porto Alegre, 2001.
MILAN, Stefania; TRERÉ, Emiliano. Big Data from the South(s): Beyond Data Universalism. Television & New MediA. Vol. 20(4), 2019.
O’NEIL, Cathy. Weapons of Math Destruction: How Big Data Increases Inequality and Threatens Democracy. New York: Broadway Books, 2016.
RIBEIRO, Ana Clara Torres. Territórios da sociedade: por uma cartografia da ação. In: SILVA, Cátia Antônia da; ALMEIDA, Gelsom Rozentino de. Território e ação social: sentidos da apropiação urbana. Rio de Janeiro, RJ, Brasil: Lamperina Editora, 2011.
RICAURTE, Paola. Data Epistemologies, The Coloniality of Power, and Resistance. Television & New MediA. Vol. 20(4), 2019.
ROY, Ananya. Cidades faveladas: repensando o urbanismo subalterno. In: Revista e-metropolis. Edição nº 31, 2017.
SACCO, Clara; MARQUES, Juliana. O IBGE na produção do data_labe e o debate sobre dados no Brasil. Revista Brasileira de Geografia, [s. l.], v. 64, n. 1, p. 109–121, 2019.
SANTOS, Milton et al. Território e sociedade: entrevista com Milton Santos. São Paulo : Editora Fundação Perseu Abramo, 2000.
STENGERS, Isabelle. No tempo das catástrofes – resistir à barbárie que se aproxima. São Paulo: Cosac Naify, 2015.
TELES, Edson. Governamentalidade algorítmica e as subjetivações rarefeitas. Kriterion. v. 59, n. 140. 2018.
WATSON, Vanessa. Seeing from the South: Refocusing Urban Planning on the Globe’s Central Urban Issues. Urban Studies, [s. l.], v. 46, n. 11, p. 2259–2275, 2009.
ZUBOFF, Soshana. Big Other: surveillance capitalism and the prospects of an information civilization, Journal of Information Technology, v. 30, p. 75-89, 2015.