Parasitas, a corrupção em diferentes escalas

21/06/2016 11:29

O contexto atual que se assenta no Brasil é algo preocupante. A palavra “corrupção” ecoa por todos os espaços do território e nas diferentes organizações e instituições sociais, ampliada pela potência e eficiência de difusão de (des)informações das redes sociais e mídias televisivas e impressas.

As manifestações contra o governo federal conseguiram mobilizar uma massa (de manobra) de (des)avisados que avalizaram o afastamento da presidente até então em exercício, e que recentemente as mesmas redes de difusão da (des)informação divulgaram, por meio da fala de um dos (potenciais) ministros desse atual (des)legítimo governo, “escancarando” que de fato se trata de um golpe cuja base se assenta nas falácias incansavelmente propaladas pela mídia e redes sociais.
Porém, tais manifestações tiveram como foco a presidência e o partido da presidente e não abordaram de maneira significativa a escala regional e local da tão abominada corrupção, ou seja, aqueles ferrenhos manifestantes que dizem não ter “corrupto de estimação” muitas vezes coincidem com os mesmos que praticam ato comum nessas outras escalas: a parasitagem da corrupção.
Essa parasitagem se alimenta do dinheiro público auferido ilicitamente e se manifesta de diferentes formas, tais como: a classe política nas diversas escalas de governo e representação parlamentar que se alimenta das vantagens resultantes da aprovação de projetos (propinas) e que são de interesse de grupos que não estão no extrato mais pobre da população; o cabide de emprego gerado por dívidas políticas de campanha em prefeituras e governos dos estados; a participação de empresas de diversos portes em licitações fraudulentas nas escalas municipal, estadual e federal; o pagamento de propinas para obtenção de vantagens em contratos públicos; desvio de dinheiro público da saúde e merenda escolar e tantas outras formas que enojam, em maior ou menor grau, tanto aqueles que conseguem fazer uma análise de conjuntura quanto outros cujo entendimento se limita a sentir a falta de bens e serviços públicos no seu cotidiano.
Ainda é possível citar os prestadores de serviços, “pessoas comuns”, em sua maioria empresários e profissionais liberais, porém, ferrenhos críticos da corrupção federal, que sabem de onde vem o dinheiro que recebem dos serviços que prestam, mas, deixam de lado a ética que tanto cobram e a falta de escrúpulos que tanto abominam. Esses são alguns dos tipos de parasitas da corrupção que se calam na escala local e regional em prol da manutenção dos benefícios e vantagens recebidas em relação a maioria da população.
Para eles a corrupção local e regional é invisível, pois, o combate à ela significa a redução de suas vantagens e ganhos. Dessa forma, se faz necessária também uma reflexão mais séria e profunda sobre esse fato, com foco no regional e no local. É preciso rever nossos posicionamentos, pois, é possível que estejamos alimentando essa forma de parasitagem. Nesse sentido, resgatar princípios éticos e morais desde o âmbito da família, escola e comunidade pode, quem sabe, no médio prazo, mitigar esse problema.
Airton Aredes
Docente da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul