Transporte aéreo de cargas em Santa Catarina
O termo eficiência é o imperativo máximo na circulação de cargas em geral e, sobretudo, uma das principais incógnitas nos setores de logística das empresas especializadas em transporte. Agrava-se o problema a partir do momento que, quanto maior a fluidez, maiores serão os custos, tornando o processo ainda mais complexo. Neste contexto, as empresas buscam a combinação entre agilidade no transporte e custos fixos competitivos, afim de que suas mercadorias convertam a maior lucratividade ao serem consumidas.
O modal aéreo é um importante meio de transporte de mercadorias de médio e alto valor agregado devido à possibilidade de percorrer longas distâncias em menor tempo em relação aos demais modais de transportes. Sendo assim, o presente trabalho tem o intuito de realizar uma discussão sobre o papel do transporte aéreo de cargas em Santa Catarina, levando em consideração a intensidade dos fluxos, a origem/destinos e a tipologia das cargas movimentadas e as estratégias logísticas desenvolvidas pelos aeroportos e companhias aéreas de cargas. Diante disso, a pesquisa está norteada pelos seguintes problemáticas: quais os principais fatores que fazem com que, muitas das cargas que poderiam ser transportadas pelo modal aéreo, são movimentadas somente pelo modal rodoviário em Santa Catarina? E Quais as estratégias logísticas dos setores que utilizam o transporte aéreo de cargas em Santa Catarina?
Santa Catarina possui trinta e dois aeroportos – vinte e dois públicos e dez privados – cadastrados e autorizados pela ANAC, no entanto, apenas três, concentrados na faixa litorânea, são considerados importantes para a movimentação de cargas aéreas, além de serem administrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária – INFRAERO são esses: o aeroporto de Internacional Hercílio Luz, na capital Florianópolis/SC; o Aeroporto Internacional Victor Konder, em Navegantes/SC e o Aeroporto de Joinville/SC, respectivamente, são os que mais movimentam cargas no estado.
Na região do Vale do Itajaí, os aeroportos de Joinville/SC e Navegantes/SC possuem a movimentação e armazenagem de cargas direcionadas ao contexto internacional, em especial ascargas de importação. O acumulado do ano de 2014 de cargas internacionais que passaram pelo aeroporto de Joinville foi de 1.885 toneladas, em grande medida, estimuladas a partir do polo eletro-metal-mecânico. E o aeroporto do município de Navegantes (80 km de Joinville) operou 6.523 toneladas de cargas internacionais, sobretudo de importação, tornando-se o aeroporto com maior índice de cargas internacionais operadas, seguido por Joinville.
Estes aeroportos possuem o maior fluxo de mercadorias, devido, principalmente, ao potencial de cargas movimentadas pelos portos, pela integração rodoviária aos grandes centros (extremo sul e sudeste do país) e pela presença de setores produtivos de diversos segmentos. Além de alimentarem os principais centros de movimentação de cargas aéreas do país, como o aeroporto de Congonhas, aeroporto de Guarulhos e o aeroporto de Viracopos, localizados no estado de São Paulo e para as capitais Curitiba/PR e Porto Alegre/RS.
O aeroporto internacional de Florianópolis/SC é responsável pela maior movimentação de cargas nacionais no estado catarinense, em 2014, foram operadas 2.413 toneladas (INFRAERO CARGO, 2015). O dinamismo de cargas nacionais transportadas pelo aeroporto da capital se dá pelo elevado número de voos regulares para os principais hubs aeroportuários do país, respectivamente, para São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba.
O principal aeroporto da região Oeste do estado encontra-se no munícipio de Chapecó e mantem regularidade de voos de passageiros e, consequentemente, de cargas nacionais. Impulsionado em grande medida pelo dinamismo das agroindústrias da região, também é a principal rota aérea de cargas interestadual de Santa Catarina que é conectada à Florianópolis. No período de cinco anos (2006-2010) o fluxo de Chapecó para Florianópolis foi de 849 toneladas e de Florianópolis para Chapecó de 1.014 toneladas.
Com o desenvolvimento do comércio eletrônico, que, em 2013 as lojas virtuais faturaram R$ 28,8 bilhões e em 2014 houve um crescimento de 24%, chegando em R$ 35,8 bilhões (E-bit, 2015), em que, a média dos gastos anuais dos brasileiros com o comércio eletrônico, para o ano de 2014, foi de R$ 248,57. A capital Florianópolis, além de concentrar algumas atividades de TI e lojas virtuais, está entre as 30 cidades brasileiras que mais movimentaram cargas do comércio eletrônico, obtendo a 15ª posição e um o gasto médio por habitante foi de R$ 303,03. De acordo com a pesquisa da Conversion (empresa especializada no setor de comércio eletrônico), em 2014, os tíquetes adquiridos em Florianópolis ficaram acima de cidades como São Paulo e Porto Alegre e totalizaram R$ 368,5 milhões em vendas pela internet (FECOMERCIO-SC, 2014).
Neste ramo em ascensão, no qual, se enquadra o e-commerce, o papel dos correios torna-se fundamental para o desenvolvimento do comércio eletrônico. O centro de triagem de cargas aéreas dos Correios/SC, a “base Florianópolis” – responsável por atender todo o estado – conta com o fluxo de dois aviões cargueiros de médio porte (aeronave Boeing 727-200F) com capacidade de 25 toneladas cada uma. A regularidade dos voos no aeroporto Hercílio Luz é diária, entre segunda feira a sábado, com dois voos por dia. Os destinos são para todos os estados do Brasil (CORREIOS, 2013).
Mesmo com o crescente dinamismo do setor aéreo de cargas, os aeroportos de Santa Catarina possuem sérias deficiências infraestruturais, tais como tamanho da pista adequado para recebimento de aviões cargueiros de grande porte, terminais de cargas com baixa capacidade de armazenamento, entre outras. O que resulta na perda de competitividade em relação aos aeroportos de outros estados. Desta forma, as cargas internacionais, no caso da importação, desembarcam nos aeroportos de Porto Alegre/RS, Curitiba/PR e São Paulo/SP, recebem uma Declaração de Transito Aduaneiro (DTA) da Receita Federal, e são transportadas pelo modal rodoviário até os aeroportos catarinenses para iniciarem o processo de liberação da carga, triagem, parametrização, etc.
Neste sentido, a partir de uma caracterização geoeconômica das regiões de Santa Catarina, foi possível diagnosticar um perfil das principais empresas que movimentam cargas aéreas e as funções das infraestruturas aeroviárias do estado. Constatamos neste estudo algumas possibilidades para que o transporte aéreo de cargas em Santa Catarina possa se desenvolver com maior dinamismo. Sendo a mais próxima e, para nós a mais viável a construção de uma nova pista e ampliação do Terminal de Cargas (TECA) do aeroporto de Navegantes/SC. Este, torna-se uma das melhores alternativas para o setor de cargas aéreas, principalmente pela sua localização, ou seja, proximidade dos portos de Itajaí e Navegantes, além do fácil acesso a BR 101 que engloba a região do Vale do Itajaí, Norte e Grande Florianópolis.
Diogo Quintilhano
Doutorando em Geografia
Departamento de Geociências
Universidade Federal de Santa Catarina