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Para além dos números: interpretando os dados do Censo Demográfico de 2022 sobre mobilidade urbana em Manaus
Por Cristiano da Silva Paiva
Doutorando em Geografia, UFSCA mobilidade urbana em Manaus, conforme os dados do IBGE de 2022, revela padrões complexos de desigualdade e segregação no acesso ao transporte público. A pesquisa do IBGE aponta para uma clara divisão racial nos modos de transporte utilizados, o que reflete a exclusão socioeconômica de grupos específicos. Por exemplo, enquanto 41,3% da população branca utiliza automóveis, apenas 32% dependem de ônibus, destacando o maior acesso da população branca ao transporte individual. Em contraste, 42,4% dos negros e 42,5% dos pardos dependem do transporte coletivo, com uma menor porcentagem utilizando automóveis (22,5% e 25,4%, respectivamente).

A comparação entre os dados do PlanMob 2015 e da pesquisa do IBGE 2022 revela transformações significativas no padrão de mobilidade urbana em Manaus. Em 2015, a distribuição modal apresentava uma configuração mais equilibrada entre as três principais categorias: transporte coletivo (39,5%), modos motorizados individuais (30,5%) e modos não motorizados (30%). Esta divisão praticamente equitativa entre individuais motorizados e não motorizados indicava uma cidade com expressiva participação de deslocamentos ativos. -
O que apontam os dados do Censo Demográfico de 2022 sobre a mobilidade urbana e regional no estado de Santa Catarina?
Por João Henrique Zoehler Lemos
Doutorando em Geografia, UFSC
Bolsista do UNIEDU/FUMDESO IBGE divulgou, recentemente, mais um resultado preliminar do Censo Demográfico 2022, dessa vez sobre os “Deslocamentos para trabalho e para estudo”. É uma radiografia da mobilidade urbana e regional a nível nacional. Iniciativa de grande valia para nós, estudiosos da circulação, transportes e logística em contextos tão diversos como os que temos no território brasileiro. O levantamento traz recortes importantes, como a divisão modal – algo inédito, pela primeira vez no Censo –, o tradicional tempo de deslocamento, o local de exercício do trabalho, entre outros [1]. Diante desses dados, estas breves notas terão como recorte territorial para análise o estado de Santa Catarina.
Um dado chama a atenção de antemão: no estado catarinense, o império do automóvel é gritante e atinge a maior proporção do país, com pouco mais de 47% de participação na matriz modal dos deslocamentos entre casa e trabalho em geral – considerando-se o mesmo município, outro município e outro país como local de trabalho (figura 1).
Figura 1 – Santa Catarina: matriz modal do meio de transporte utilizado, em % (2022)
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022 (IBGE, 2025a).
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Publicação de trabalho sobre o Porto Seco de Cascavel (PR) e suas dinâmicas territoriais
Publicação do trabalho intitulado "O Porto Seco de Cascavel como centro aduaneiro: concessão, logística e circulação de mercadorias" escrito por Nelson Fernandes Felipe Junior (UNILA), Eidy Edwin Arndt Semoto (UNILA) e Ronald dos Santos Pereira (UNILA).Resumo: Este artigo tem como objetivo analisar o Porto Seco de Cascavel e, em especial, as atividades aduaneiras, a concessão, a logística e a circulação de mercadorias. Os portos secos são pontos nodais no território que exercem diversas funções, como o transbordo, o armazenamento e a movimentação de cargas, a realização de processos aduaneiros e tributários, entre outros. Os portos secos são importantes para a integração regional e o comércio, com apoio da infraestrutura, da logística, das normas e da tributação. São utilizados como meio de descentralização das atividades dos portos, dos aeroportos e das áreas de fronteira, antecipando os processos burocráticos, alfandegários e de despacho. São distribuídos de forma estratégica no território nacional e têm como objetivo favorecer os fluxos de mercadorias e o controle aduaneiro no território. Os portos secos são constituídos de um terminal alfandegado que segue uma legislação específica para sua criação e operação. O Porto Seco de Cascavel favorece o transporte de produtos agrícolas (sobretudo soja e milho) do oeste do Paraná e contribui com as exportações e importações do Brasil, do Paraguai e da Argentina.
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Publicação de trabalho sobre as possibilidades e potencialidades do uso de VLTs em Florianópolis e região
Publicação do trabalho intitulado "Atributos para veículo leve sobre trilhos (VLT): um pensar em mobilidade para Florianópolis e região metropolitana" escrito pelo professor Acires Dias (UFSC).Resumo: O Seminário Técnico de Avaliação e Planejamento da Mobilidade Urbana de Florianópolis e Região Metropolitana, realizado nos dias 29 e 30 de maio de 2025 no auditório da Arquitetura da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), reuniu um conjunto de convidados para discutir estratégias integradas de mobilidade urbana. O evento teve como objetivo principal avaliar as atuais condições de deslocamento na região metropolitana e propor diretrizes para o aprimoramento da infraestrutura e dos sistemas de transporte, considerando as dinâmicas territoriais e as necessidades da população. Entre as atividades desenvolvidas, o autor, docente aposentado do curso de Engenharia Mecânica da UFSC, proferiu a palestra “Atributos para Veículo Leve sobre Trilhos (VLT): um pensar em mobilidade para Florianópolis e Região Metropolitana”. A exposição tratou do modal ferroviário como alternativa viável para o transporte urbano, com ênfase nas características e potencialidades do VLT com propulsão elétrica. A palestra defende a inclusão do VLT nos planos de mobilidade urbana dos municípios envolvidos, destacando sua adequação à realidade metropolitana, sua eficiência energética, seu baixo impacto ambiental e sua capacidade de integração intermunicipal.
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Professor vinculado ao LabCit ministra curso de inverno na USP
Nos dias 6 e 7 de agosto, 100 participantes se aprofundaram nas discussões do curso A dinâmica territorial sob a ótica dos transportes e da logística, que foi ministrado pelo Prof. Márcio Rogério Silveira no âmbito dos "cursos de inverno" da Universidade de São Paulo (USP). A atividade foi desenvolvida como parte do estágio de pós-doutorado do professor Márcio, marcando uma importante contribuição para a área.O curso teve como objetivo central analisar o papel estratégico dos transportes, da circulação e da logística para a competitividade e o desenvolvimento econômico, com foco especial no Brasil e em casos internacionais, como a China e o seu atual estágio de desenvolvimento do planejamento territorial.
Durante as sessões, os participantes se aproximaram de temas relevantes, como a análise dos sistemas de transporte como elementos estruturantes da organização espacial e a relação entre os conceitos de logística e as cadeias produtivas. A discussão se estendeu à fluidez territorial, à competitividade baseada em infraestruturas e às inter-relações entre transportes, logística e desenvolvimento, incluindo os impactos da modernização e da seletividade espacial. Foi bastante cara à exposição o tema da geoeconomia e geopolítica dos transportes. Para finalizar, o planejamento territorial e o foco no desenvolvimento econômica e soberania nacional foram eixos mais gerais da discussão.
A iniciativa, realizada de forma online, demonstrou o potencial da universidade em promover o debate sobre temas candentes dos estudos geográficos contemporâneos e suas conexões com áreas correlatas, contando com um público amplo e diverso.





