Publicação de trabalho escrito pelo geógrafo Aziz Ab’Saber

15/12/2023 09:00

Nessa sequência da republicação de textos aparentemente esquecidos, publicados nos mais diversos meios – anais de eventos, periódicos descontinuados, relatórios etc. - trazemos agora a transcrição de uma conferência proferida pelo brilhante geógrafo brasileiro Aziz Ab’Saber.

Trata-se de uma apresentação realizada no âmbito do I Simpósio Nacional de Transporte Ferroviário: história e urbanização, evento realizado na metrópole São Paulo, entre os dias 8 e 11 de setembro de 1988. Intitulado "A repercussão da retaguarda, a modernização por dentro: o papel das ferrovias no Brasil. Contribuição à carta nacional de transportes", o trabalho foi apresentado em meio à promulgação da nova Constituição Federal de 1988. Diversos intelectuais, técnicos e burocratas do setor ferroviário brasileiro expuseram ideias, propostas e sínteses sobre o quadro do transporte ferroviário brasileiro. Entre outras coisas, o foco era trazer contribuições para a constituinte em processo e à chamada “Carta Nacional de Transportes”.

Sobre o geógrafo, Aziz Nacib Ab’Saber nasceu na pequena cidade paulista de São Luiz do Paraitinga em 24 de outubro de 1924, momento de intensa efervescência política e na antessala da Revolução de 1930. Foi professor titular de Geografia Física na Universidade de São Paulo (SP), membro-fundador da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) etc.

Considerado por Armen Mamigonian como um dos grandes geógrafos da geração dos anos 1950 (Armen Mamigonian. Milton Santos e a geração dos geógrafos dos anos 50. Revista Ciência Geográfica. Bauru, v. 2, n. 19, maio/ago. 2001), esteve dedicado às questões de grande complexidade da Geografia ao longo de sua trajetória, articulando de maneira brilhante sociedade, natureza e as diferentes combinações geográficas, para recuperar uma importante noção de André Cholley. Isso tudo com especial atenção para a realidade brasileira e – conforme sua própria proposição – seus tão diversificados domínios morfoclimáticos (Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas, São Paulo, Ateliê Editorial, 2003).

No texto que hoje apresentamos, Ab’Saber trata de modo bastante rico e objetivo da formação da rede ferroviária brasileira. Destaca o papel das ferrovias na organização espacial das regiões do país e seus desdobramentos enquanto motor da dinâmica urbana ao longo das linhas férras.

Nas suas próprias palavras, conforme a conferência transcrita neste número de Textos para Discussão: “Eu sou de uma geração, em que a estrada de ferro tinha uma posição muito especial na vida urbana e na vida regional de nosso país. Eu me lembro, ainda, adolescente, de uma classificação que meus pais e os meus colegas sempre faziam em relação a vida urbana no Brasil, sobretudo, no Brasil do Sudeste, onde eu nasci. Havia uma nítida separação entre cidades que tinham estradas de ferro, que tinham a estação e a ligação com o corpo geoeconômico do país e as cidades que não possuíam estradas de ferro”.

Confira o novo número – v. 4, n. 4 – e os demais Textos para Discussão clicando neste link.

Publicação de artigo – A graduação em Geografia no Brasil de 2010 a 2021

29/11/2023 01:16

Autor: Fernando Mesquita

Revista: Geosul

Link: https://periodicos.ufsc.br/index.php/geosul/article/view/93022

Resumo: As crises de ordem econômica, política e pandêmica no Brasil impactam diretamente nas instituições de ensino superior. Nosso objetivo é discutir os efeitos dessas crises nos cursos de graduação em Geografia, tendo como ênfase sua configuração regional. Usamos os microdados do Inep, entre os anos de 2010 e 2021, para mensurar a retração do ensino presencial (público e privado) e a expansão do ensino a distância privado em número de alunos e locais atendidos. Defendemos que embora esteja disperso no território, o ensino a distância acaba reproduzindo uma lógica centralizadora que pouco contribui para o conhecimento da diversidade natural e social do país, ao passo que, o ensino presencial, ao se interiorizar estimula a participação de um maior número de lugares na produção do saber geográfico.

Publicação de trabalho escrito pelo economista Ignácio Rangel

06/11/2023 08:00

Publicação do trabalho intitulado "Maranhão: antigo e novo", de autoria do economista brasileiro Ignácio Rangel (in memorian).

Conforme o resumo do trabalho, ele traz: "Uma breve análise da trajetória histórica do Maranhão, desde os tempos do Império, quando se constituía numa das suas mais ricas províncias, passando por suas atividades de decadência/prosperidade/decadência até às novas perspectivas de tornar-se um grande Parque Industrial concentrado na siderurgia e metalurgia em geral".

Texto originalmente publicado na Revista FIPES, São Luís, v. 4, n. 1, p. 17-25, jan./jun., 1989.

Transcrição e edição feitas por Juan Guilherme Costa Siqueira, aluno do curso de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Santa Catarina.

Ignácio de Mourão Rangel ou simplesmente Ignácio Rangel (1914-1994) foi um brilhante pensador da formação social brasileira e seu desenvolvimento econômico, de caráter nacional-desenvolvimentista.

Rangel trabalhou na assessoria dos governos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Esteve presente nos primórdios do atual BNDES. Também esteve à frente do departamento de Economia do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), entre as décadas de 1950 e 1960.

Entre as suas principais contribuições, destaca-se as obras A dualidade básica da economia brasileira (1957), Elementos de economia do projetamento (1959), A inflação brasileira (1963) e Economia: milagre e anti-milagre (1985).

Acesse este e outros Textos para discussão neste link.

Publicação de artigo – A hidrovia Tietê-Paraná e a intermodalidade

01/11/2023 09:12

Autores: Nelson Fernandes Felipe Junior, Márcio Rogério Silveira e Rodrigo Giraldi Cocco

Revista: Boletim Campineiro de Geografia

Link: https://doi.org/10.54446/bcg.v13i1.2875

Resumo: O presente artigo tem como objetivo principal analisar a Hidrovia Tietê-Paraná e a intermodalidade, bem como seus reflexos territoriais e no desenvolvimento econômico. O sistema hidroviário Tietê-Paraná e a intermodalidade, por intermédio das infraestruturas e dos meios de transporte, favorecem a circulação de mercadorias no território, as exportações e a economia nacional. O transporte aquaviário possui vantagens, como o preço menor do frete em comparação aos modais ferroviário e rodoviário, a grande capacidade de escoamento de cargas, o baixo índice de acidentes e outros. A elaboração de um planejamento estratégico por parte do Estado e o fomento dos investimentos públicos e privados, especialmente na multimodalidade/intermodalidade, são relevantes para qualificar as infraestruturas e estimular a retomada do crescimento econômico brasileiro.

Publicação de artigo – Circulação, transportes e logística em Santa Catarina

01/11/2023 09:10

Autores: Lucas Azeredo Rodrigues e João Henrique Zoehler Lemos

Revista: Boletim Campineiro de Geografia

Link:  https://doi.org/10.54446/bcg.v13i1.2882

Resumo: O Brasil, por todo seu contexto histórico de ocupação territorial, adotou diferentes formas de circulação. Por sua dimensão quase continental, os modais aéreo e rodoviário de transporte compõem um cenário mesclado de competitividade e complementaridade. Nas particularidades da organização espacial do estado de Santa Catarina, os transportes regulares de passageiros nos modais aéreo e rodoviário contribuem para a constituição de uma propensa rede urbana interligada ao centro dinâmico do país. Neste sentido, este trabalho objetiva discutir a organização e o papel das redes de transporte regular de passageiros, nas dinâmicas do desenvolvimento regional e urbano em Santa Catarina. Com base em dados oficiais, destaca-se as direções, densidades, concentrações e diferenciações produzidas no território a partir das operações de ambos os modais de transporte.